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Plano Safra 2026/2027: Famasul avalia desafios no acesso ao crédito rural

Plano Safra 2026/2027: Famasul avalia desafios no acesso ao crédito rural

Análise técnica destaca a preocupação com a redução dos recursos para custeio, o cenário de endividamento rural e a ausência de medidas de apoio ao produtor
06/07/2026 - 14:30

O Sistema Famasul vê com preocupação a efetividade do Plano Safra 2026/2027 diante dos desafios enfrentados pelo produtor rural. Embora o governo tenha anunciado um volume recorde nominal de recursos, a política de crédito rural precisa ser analisada para além dos números divulgados, já que sua efetividade será determinada pela capacidade de transformar esses recursos em financiamento efetivamente acessível ao produtor. Em um cenário de amplo endividamento, custos de produção ainda elevados e maior exposição aos riscos da atividade agropecuária, o principal desafio do setor continua sendo garantir condições para financiar a próxima safra.

Nesse contexto, preocupa a redução dos recursos destinados ao Custeio e à Comercialização, que passaram de R$414,7 bilhões para R$384,9 bilhões, redução de aproximadamente R$30 bilhões em relação ao ciclo anterior. Essa modalidade financia as despesas diretamente ligadas à produção, como aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e demais custos operacionais, sendo considerada a principal necessidade financeira do produtor rural no curto prazo, principalmente com a exposição a riscos climáticos, inclusive diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño.

Já os recursos destinados às linhas de Investimento passaram de R$101,5 bilhões para R$140,2 bilhões. Mesmo que esse montante seja importante para o desenvolvimento do setor, a prioridade do momento é recompor o fluxo de caixa e financiar a safra corrente, e não assumir novos compromissos de longo prazo. 

Também chama atenção a composição dos recursos anunciados. Dos R$525,1 bilhões destinados à Agricultura Empresarial, apenas R$97 bilhões, cerca de 18,47% do total, correspondem às operações com juros equalizados, modalidade em que o governo subsidia parte do custo financeiro para reduzir as taxas cobradas ao produtor. Além disso, a disponibilidade de crédito não significa, necessariamente, acesso ao financiamento. O custo efetivo das operações incorpora despesas como seguros, tarifas, registros e outras exigências que aumentam significativamente o valor final contratado, reduzindo a capacidade de acesso ao crédito, especialmente em um cenário de maior restrição financeira.

Embora o Plano Safra tenha reduzido as taxas de juros em algumas linhas de financiamento, esse movimento não elimina os desafios enfrentados pelos produtores. Em diversas linhas tradicionais de investimento houve redução dos recursos disponíveis. No Moderfrota, por exemplo, a taxa caiu de 13,5% para 12,5%, enquanto os recursos passaram de R$9,5 bilhões para R$3,7 bilhões, redução de aproximadamente 61%. Esse cenário demonstra que a redução dos juros, isoladamente, não garante maior disponibilidade de financiamento ao setor produtivo

Outra condição preocupante é a ausência de medidas voltadas à recuperação financeira dos produtores rurais e ao fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco. O Plano Safra não definiu os recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), apesar de a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defender um orçamento de R$4 bilhões para o programa. Além disso, não contemplou de forma explícita outras propostas consideradas prioritárias pelo setor, como o fortalecimento do Fundo Garantidor, a atualização dos limites de enquadramento do Pronamp, a adoção de um Plano Safra plurianual e o apoio ao Projeto de Lei nº 5.122/2023, voltado à recuperação financeira e à renegociação de dívidas dos produtores rurais.

O Sistema Famasul reconhece a importância do Plano Safra como principal instrumento da política de crédito rural brasileira. No entanto, entende que sua efetividade deve ser medida não apenas pelo volume de recursos anunciado, mas pela capacidade de oferecer crédito acessível, compatível com a realidade econômica do setor e capaz de assegurar a continuidade da produção agropecuária.

Assessoria de Imprensa do Sistema Famasul - Larissa Adami