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Com demanda garantida, produção de mamona é oportunidade para produtores de MS

05/05/2015 - 15:45

Mato Grosso do Sul tem uma indústria de processamento de mamona destinada à produção de óleo, mas precisa importar a matéria-prima de outros Estados. O fornecimento da semente para a fabricação de 400 toneladas mensais de óleo, por exemplo, é uma excelente oportunidade para os produtores sul-mato-grossenses. Para unir essas duas pontas, o Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural iniciará nesta quarta-feira (06) o atendimento piloto a 12 produtores familiares moradores no Assentamento Estrela, em Jaraguari, a 45 quilômetros de Campo Grande, interessados em cultivar o grão para comercialização em escala comercial.

A iniciativa começou justamente em Jaraguari porque no município está localizada uma empresa especializada em processamento de mamona e produção de óleo para fins comerciais (produção de tintas e cosméticos). Segundo informações do proprietário da Projebio, Marcel Chain, não existe cultivo comercial do grão no estado e, por isso, ele compra a matéria-prima diretamente da Bahia. “A empresa produz mensalmente 400 toneladas de óleo de mamona que é vendido para São Paulo e Rio Grande do Sul. Em razão da grande distância com o principal fornecedor de mamona, conversamos com o Sindicato Rural de Jaraguari e sugerimos um atendimento especializado para produtores interessados em produzir a oleaginosa”, detalhou.

Para o superintendente do Senar/MS, Rogério Beretta, a implementação da cultura em MS representa uma novidade que pode incrementar a renda do pequeno produtor. “Poucos conhecem a potencialidade de produzir mamonas no Mato Grosso do Sul e é isso que o programa ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural do Senar vai modificar na região, porque além de informações sobre o cultivo, vamos fornecer suporte técnico aos interessados na produção”.

Na avaliação de Chain, o investimento também é vantajoso porque pode ser integrado a outras culturas, o que facilita a adesão dos produtores de todas as regiões do Estado. “A mamona consorciada a mandioca, feijão ou ainda hortifrutigranjeiros proporciona um reforço econômico positivo ao produtor. No entanto, é um investimento em médio prazo e que precisa contar com assistência técnica como a oferecida pelo Senar/MS”, acrescentou.

Para o tesoureiro do Sindicato Rural de Jaraguari, Jonas Batista, a iniciativa trará o desenvolvimento da região, por meio da implantação de uma nova cultura e ainda oferecerá aos agricultores familiares alternativas de plantio e geração de renda. “A empresa Projebio possui capacidade de esmagar inicialmente 2,5 mil hectares de mamona. Com apoio do Senar poderemos impulsionar a produção do grão na região e ainda oferecer uma alternativa aos moradores dos 16 assentamentos existentes no município”, argumentou.

Outro diferencial da mamona, afirmou Batista, é a alta resistência a pragas, além de ser uma opção de cultura para pequenas propriedades no período de estiagem. “Durante o período de seca, a produção de leite diminui consideravelmente e os hortifrúti também. Ao integrar a plantação de mamona, os produtores terão mais opção de produção, além de termos um comprador aqui na região”, considerou o tesoureiro.

Segundo dados da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, os três maiores produtores de mamona do país são Bahia, Ceará e Minas Gerais. Em 2014 foram contabilizadas 137 mil hectares de área plantada e produzidas 107,2 mil sacas por hectare. Em âmbito nacional, os indicadores econômicos divulgados pela FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura mostram que o Brasil alcançou 20 mil toneladas de produção de mamona em 2014, volume considerado baixo, mas que posiciona o país como terceiro maior produtor mundial da matéria-prima, ficando atrás apenas da China e Moçambique (ambos os países com 60 mil toneladas produzidas/ano) e a Índia com 1,6 milhão de toneladas.

Por dentro do processamento – O CREFBio – Centro de Referência da Cadeia de Bicombustíveis para Agricultura Familiar do portal Biomercado detalha que biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de fontes vegetais, entre elas a mamona e pode ser misturada ao etanol (proveniente da cana-de-açúcar). O produto gera baixos índices de poluição, gera emprego e renda no campo, é fonte de energia renovável e os custos de produção podem ser mais baixos do que os derivados de petróleo.

 A empresa Projebio localizada em Jaraguari (MS) trabalha somente com a extração de óleo que é utilizado largamente na produção de tintas, ou ainda, na indústria de comésticos.

 

Foto: Blog Pesquisa Agrícola