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Nem tecnologia, nem pesquisa: abertura da Bienal é marcada pelas invasões de propriedade em MS

31/08/2015 - 16:00

Evento organizado para debater os temas mais emergentes da agricultura e para ser vitrine do segmento, a Bienal da Agricultura refletiu em sua abertura oficial, realizada na noite desta segunda-feira (31), a preocupação das lideranças do setor em relação às invasões de propriedade em Mato Grosso do Sul. Com 95 propriedades invadidas por indígenas, o Estado sede do evento foi palco da manifestação de apoio dos demais estados do Centro-Oeste em relação aos litígios de terra.

O presidente da Famasul – Federação da Agricultura e Pecuária de MS, Mauricio Saito, anfitrião da realização, disse que todos os gargalos que serão debatidos no evento perdem força quando entra em pauta o direito de propriedade. Para um auditório com cerca de 500 pessoas, Saito falou sobre a condição alarmante das invasões indígenas em Antônio João, município ao Sul do Estado, onde os produtores vivem o maior foco da violência das invasões da atualidade.

“Gostaria que as lideranças e os produtores rurais de outros Estados aqui presentes voltassem suas atenções para a região do Cone Sul, tensionada pelo direito de propriedade. Queremos que o Governo Federal cumpra o seu papel de defesa do cidadão brasileiro, seja índio ou não índio”, afirmou Saito.

“No Brasil existe esta especialidade: botar irmão brigar contra irmão”, enfatizou o presidente da Faeg – Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, José Mário Schreiner, complementando que “são questões ideológicas plantadas para enfraquecer o setor agro, que sustenta o crescimento do Brasil”.

O presidente da Famato – Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, Rui Prado, relatou que em conversa com o governador de MS, Reinaldo Azambuja, entendeu que são necessários 30 mil hectares para “distencionar” o conflito no Estado. Prado pediu um minuto de silêncio aos presentes, uma reverência aos produtores afetados pelas invasões. “Vamos silenciar para mostrar que estamos irmanados para enfrentar conflitos como esse”, justificou.

A deputada federall Tereza Cristina Corrêa da Costa destacou o trâmite da PEC 71, que deverá seguir nos próximos dias da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para ser votada no Senado. A PEC, destacou, vai corrigir uma injustiça ao fazer com que os produtores que queiram vender as terras pretendidas pelos indígenas recebam por ela e não somente pelas benfeitorias. “Essa é uma festa na qual estamos pensando no futuro, mas estamos tratando de um problema do século retrasado. Não é por terra. Tem coisa muito maior por trás, tem minério, tem água, tem ideologia”, afirmou a deputada ao relatar a ida de parlamentares ao município de Antônio João para tentar pacificar o conflito, no último final de semana. “Mas esses produtores não aguentam mais ter calma”, finalizou.

Em seu pronunciamento, o presidente da Fape/DF – Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal, Renato Simplicio, enfatizou o momento crítico no cenário nacional, diante de uma crise econômica e social. “A história mostra que as crises sempre existiram e sempre vão existir, mas elas têm um lado positivo, porque criam um desejo de mudança e de insatisfação”.

Com objetivo de fortalecer o setor, viabilizando a adesão de novos produtores rurais ao sistema ILPF – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, um termo de cooperação foi assinado na abertura da Bienal da Agricultura, pelo chefe geral da Embrapa Gado de Corte, Cleber Oliveira, e pelo presidente da Fundação MS, Luis Alberto Moraes Novaes.

Participaram também da abertura da Bienal da Agricultura, o secretário da Produção e Agricultura Familiar, Fernando Lamas; o presidente da Aprosoja Brasil – Associação dos Produtores de Soja do Brasil, Almir Dalpasquale; o presidente da Abramilho, Sérgio Bortolozzo; o superintendente da Secretaria de Agricultura de Goiás, Antônio Flávio Camilo de Lima, entre outras lideranças políticas e rurais.

Sobre a Bienal – A Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central é vitrine do agronegócio da região Centro-Oeste. Traz para discussão os temas mais emergentes do setor e já está na agenda dos principais eventos agro do País. A vitrine do agronegócio vai mostrar as potencialidades do setor no Centro-oeste, considerado o eixo do agronegócio. É realizada a cada dois anos, rotativamente nas capitais dos Estados do Centro-oeste. A primeira ocorreu em Goiânia, a segunda em Cuiabá e agora é a vez da capital sul-mato-grossense. A Bienal é organizada pelas federações de agricultura e pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Mato Grosso (Famato), Goiás (Faeg) e Distrito Federal (Fape-DF).

A Bienal tem patrocínio do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Monsanto, Bayer, Dow, Basf, Governo Federal, Caixa Econômica Federal e OCB Centro-Oeste – Organização das Cooperativas do Brasil.

O evento conta com o apoio do Governo do Estado de MS, da Aprosoja/MS, da Fundems – Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja, da Fundect – Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, da Abrass – Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja, do Sicredi e do Banco do Brasil.

Conta também com o apoio institucional do Crea/MS – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, da Embrapa e da Fundação MS e é realizado em parceria com o SBA – Sistema Brasileiro do Agronegócio, com a TV Morena, com o SBA – Sistema Brasileira do Agronegócio, com a UCDB e com a Revista Granja. Para mais informações, acesse www.bienaldaagricultura.com.br ou baixe o aplicativo da Bienal da Agricultura disponível no App Store e Play Store.