Skip directly to content

Programa de empreendedorismo transforma realidade de mulheres no meio rural

Programa de empreendedorismo transforma realidade de mulheres no meio rural

06/03/2015 - 16:45

Comemorado no dia 8 de março, o dia Internacional da Mulher reforça a determinação, solidariedade e força de vontade que existe em todas as avós, mães, filhas. Essas qualidades aparecem com força no empreendedorismo feminino, que se faz sentir tanto no meio urbano como no rural.

Um exemplo é a história que aconteceu no município de Amambai, localizado na região sul de Mato Grosso do Sul. Uma iniciativa do Clube de Mães do município transformou a vida de 30 mulheres indígenas moradoras da Aldeia Limão Verde, que buscavam uma oportunidade de ajudar no sustento da família. O grupo liderado pela pedagoga aposentada Vilma Maria Golin Selhorst iniciou uma ação de inclusão social em 2013 quando conheceu um projeto desenvolvido pelo Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural chamado ‘Com Licença Vou à Luta’, que desenvolve o empreendedorismo do público feminino, focado na gestão dos negócios para mulheres moradoras no meio rural.

“A associação começou a promover um trabalho na aldeia, primeiro com um grupo de 15 mulheres indígenas. Percebemos a condição de vulnerabilidade das famílias e iniciamos uma ação para estimular a produção de artesanato, tapeçaria, tricô e crochê, além de ensinar hábitos de higiene pessoal e cuidados com os filhos. Com apoio do Sindicato Rural e do Senar foi realizado um curso de produção artesanal de produtos de limpeza que despertou o interesse das participantes em conquistarem o negócio próprio”, relata a professora aposentada.

Vilma conta que em pouco tempo as voluntárias conseguiram formar dois grupos, totalizando 40 mulheres que participaram do programa ‘Com Licença Vou à Luta’ e outras capacitações de Promoção Social. “Um dos fatores mais importantes para estas mulheres foi a oportunidade de participar sem precisar sair da aldeia. Elas compareciam a todas as aulas acompanhadas dos filhos e se sentiam mais tranquilas para acompanhar as orientações”, pontuou a educadora. A partir de então, as indígenas passaram a produzir artesanato de palha, de tecido e com motivos indígenas, além de produtos de limpeza. “Hoje elas são reconhecidas na região e são convidadas para participar de eventos, para mostrar o trabalho produzido na aldeia. Estas mulheres nos dão a certeza que precisavam apenas de uma oportunidade para mudar sua condição”, concluiu.

O resultado superou as expectativas e 30 ‘ex-alunas’ criaram uma cooperativa na própria aldeia. Uma das lideranças femininas na comunidade é Damiana de Souza, 54 anos. Ela conta que as cooperadas aproveitaram o conteúdo dos dois cursos para aumentar a produção de produtos de limpeza. “As qualificações que participamos foram muito importantes, pois, nos ensinaram a investir e planejar, além de fabricar vários produtos de limpeza, como sabão, detergente e desinfetante”, confidenciou.

Descobrindo talentos – O programa ‘Com Licença Vou a Luta’ atendeu em 2014 sete municípios de MS e alcançou 115 mulheres da área rural, com a proposta de orientar as produtoras e trabalhadoras rurais a desenvolverem competências de gestão, para então elaborarem um plano de negócio compatível com a realidade de cada região.

No outro extremo do Estado, na cidade de Coxim, o diferencial foi encontrar mulheres determinadas a aprenderem uma profissão ou mesmo as que estivessem interessadas em se capacitar. A presidente do Sindicato Rural de Coxim, Terezinha de Souza Cândido Silva, conta que foram oferecidas três turmas do programa que identificaram o potencial das alunas. “No primeiro momento procuramos estimular as aptidões das participantes e descobrimos que algumas delas demonstravam vontade de participar de cursos procurados quase que exclusivamente por homens, tais como operação de máquinas agrícolas – tratores, colheitadeiras e retroescavadeiras. Após participarem do programa, algumas dessas mulheres fizeram o curso e já estão inseridas no mercado de trabalho”, relatou.

A principal rodovia de acesso ao município (Br 163) passa por recapeamento e duplicação e as empreiteiras apresentaram interesse em contratar profissionais do sexo feminino. “Segundo os empregadores, as mulheres demonstram afinidade com a operação de máquinas pesadas e nossas alunas estão animadas em procurar uma qualificação que resulte em emprego”, pontuou.

Interessada em atuar neste mercado, Josiane Nepunuceno, 27 anos, já participou de dois cursos e aguarda a próxima turma. “Fiquei sabendo por amigos em comum que o Senar oferecia as capacitações e a primeira foi de tratorista. Em seguida participei da qualificação de operador de retroescavadeira e agora aguardo o início da turma de colheitadeira. Decidi me especializar nesta área, já que os empregadores estão dando preferencia para mulheres”, ponderou.

Direto do município de Terenos, no Assentamento Santa Mônica, a trabalhadora rural Marineide Elias de Sena, 30 anos, planeja empreender na área comercial, aproveitando os conhecimentos adquiridos no ‘Com Licença Vou a Luta’. “Moro em um lote de 6,5 hectares e trabalho com meu esposo na produção de leite. A capacitação me ensinou a importância de calcular os gastos e estudar o setor em que se quer investir. Por exemplo, aqui no assentamento há uma necessidade grande de uma loja de variedades e presentes. Por isso, estou economizando para conseguir montar um pequeno negócio que dê lucro e com pouca concorrência”, avaliou.

Serviço – Os interessados em participar do programa ‘Com Licença Vou a Luta’, de 40 aulas/hora de formação, podem entrar em contato no sindicato rural da região ou ainda acessar o portal http://www.senar.org.br/programa/com-licenca-vou-luta